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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Estive na Cidade III


A cidade, a noite e tu

Todas nuas nos meus braços
a cidade, a noite e tu
A vossa claridade ilumina-me o rosto
e há ainda o perfume dos vossos cabelos.
A quem pertence este coração que bate?
acima do murmúrio das nossas respirações palpitantes
será a tua voz, a da cidade, a da noite
ou a minha?
Onde acaba a noite, onde começa a cidade
Onde acaba a cidade, onde começas tu
onde está o meu fim, onde está o meu princípio?

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Hâzim Hikmet

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Vontade de fotografar Dança...

Las manos sin perfil
espacio entre dos señales
notas que son aromas
en la imagen quieta,
sublime
de diez dedos que retoman luceros.
Jugaron con la infancia,
con los bosquejos de mujeres entre sueños
y metáforas de madurez.
Danzan
danzas de vida en falanges coloreadas
por el paso de la casa de la infinitud.
Por los pliegues de una mano
corren huerfanos los recuerdos
de mil cosas aprendidas con ellas
con el olfato inherte en unos dedos.
Capto la imagen de tu pasado
de todas las cosas que no están
pero que habitan tu desván.
él que siempre se cierra,
hoy se abre en tus extremidades
en tus soportes.
escribe sin pluma.

Fotografia: Carlos Muralhas - Poema: Jose Antonio Guillén Berrendero "Pepe"

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cat Shakespaw


Hamlet's Cat's Soliloquy

To go outside, and there perchance to stay
Or to remain within; that is the question:

Whether 'tis better for a cat to suffer
The cuffs and buffets of inclement weather
That Nature rains on those who roam abroad,
Or take a nap upon a scrap of carpet,
And so by dozing melt the solid hours
That clog the clock's bright gears with sullen time
And stall the dinner bell.

To sit, to stare outdoors,
And by a stare to seem to state
A wish to venture forth without delay,
Then when the portal's opened up,
To stand as if transfixed by doubt.
To prowl; to sleep;
To choose not knowing when we may once more
Our readmittance gain:
Aye, there's the hairball;

For if a paw were shaped to turn a knob,
Or work a lock or slip a window-catch,
And going out and coming in were made
As simple as the breaking of a bowl,
What cat would bear the household's petty plagues,
The cook's well-practiced kicks, the butler's broom,
The infant's careless pokes, the tickled ears,
The trampled tail,
And all the daily shocks that fur is heir to,
When, of his own free will,
He might his exodus or entrance make
With a mere mitten?

Who would spaniels fear,
Or strays trespassing from a neighbor's yard,
But that the dread of our unheeded cries
And scratches at a barricaded door
No claw can open up, dispels our nerve
And makes us rather bear our humans' faults
Than run away to unguessed miseries?

Thus caution doth make house cats of us all;
And thus the bristling hair of resolution
Is softened up with the pale brush of thought,
And since our choices hinge on weighty things,
We pause upon the threshold of decision.

--Shakespaw

Fotografia: Carlos Muralhas - Modelo: Ideafix

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sem fim



Delírio e Sonho
Delírio e Desejo
Sem Fim
Desejo
Desejo e Desespero
Sem Fim
Desespero
Desespero
Sem Fim
Morte
Morte e Sonho
Morte e Destino
Sem Fim
Destino
Destino
Destino e Desejo
Sem Fim
Sem Fim
Destruição

Texto: Inspirado no Índice, DC Comics Vertigo "The Endless", 1995, Vários Artistas
Fotografia: Carlos Muralhas

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O Legado II


Há uma enorme desproporção entre o grande número de imagens que são constantemente geradas e que competem umas com as outras, e a janela, relativamente pequena, através da qual as imagens se tornam conscientes - a janela através da qual as imagens são acompanhadas pela sensação, imagética também, de que estamos a apreendê-las e de que lhes estamos a prestar a devida atenção.

em O Sentimento de Si, António Damásio, 1999

Fotografia: Carlos Muralhas

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ilusão



Tanta gente apostada apenas em Brilhar
Sem conseguir perceber,
Talvez por não conseguir ver...

Brilhar não é Iluminar.

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion

sábado, 19 de dezembro de 2009

Dúvidas



A questão de quem eu era consumia-me.

Convenci-me de que não chegaria a encontrar a imagem da pessoa que eu era: Segundos passaram. O que em mim subiu à superfície mergulhou e voltou a desaparecer. E no entanto senti que o momento da minha primeira investidura foi o momento em que comecei a representar-me - o momento em que comecei a viver - gradualmente - segundo a segundo - ininterruptamente - Oh mente que está tu a fazer! -

queres ficar oculta ou queres ser vista? -

em Materialism de Jorie Graham, Notes on the Reality of the Self, 1993

Fotografia: Carlos Muralhas

sábado, 12 de dezembro de 2009

Lisboa de Noite I e a Repetição


A repetição nada muda no objecto que se repete, mas muda alguma coisa no espírito que a contempla: Tese de David Hume

Fotografia: Carlos Muralhas

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Hoje


Nada se tem e nada se pode desejar, viver é dormir.

Fernando Pessoa


Fotografia: Carlos Muralhas


sábado, 5 de dezembro de 2009

Dubito, ergo cogito, ergo sum



"É evidente que a Ideia retoma aqui os três aspectos do Cogito:
o Eu sou, como existência indeterminada;
o tempo, como forma sobre a qual essa existência é determinável;
o Eu penso, como determinação."
(Texto retirado de Gilles Deleuze, Diferença e Repetição, Relógio de Água, pp. 286)

Fotografia: Carlos Muralhas

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Os mesmos erros...

"Mesmo um exame superficial da história revela que nós, seres humanos, temos uma triste tendência para cometer os mesmos erros repetidas vezes. Temos medo dos desconhecidos ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de nós. Quando ficamos assustados, começamos a ser agressivos para as pessoas que nos rodeiam. Temos botões de fácil acesso que, quando carregamos neles, libertam emoções poderosas. Podemos ser manipulados até extremos de insensatez por políticos espertos. Dêem-nos o tipo de chefe certo e, tal como o mais sugestionável paciente do terapeuta pela hipnose, faremos de bom grado quase tudo o que ele quer - mesmo coisas que sabemos serem erradas."

Carl Sagan, in 'O Mundo Infestado de Demónios'

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Senhor de La Fontaine em Lisboa: O Leão



da Peça "O Senhor de La Fontaine em Lisboa" da Companhia de Teatro Lua Cheia
7-Nov a 6-Dez 2009 - Museu da Marioneta

Informações e Reservas: Museu da Marioneta
Companhia: Lua Cheia

Fotografia: Carlos Muralhas

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

TimeOutLx Artigo sobre a Peça "O Senhor de LaFontaine em Lx"

Na Revista Time Out Lisboa, edição de 4 a 10 de Novembro de 2009, saíu este artigo sobre a Peça "O Senhor de La Fontaine em Lisboa", em preparação no Teatro Lua Cheia.

As fotos do artigo foram capturadas por mim, no âmbito do protocolo com o MEF (www.mef.pt)para a cobertura da construção das marionetas, construção do cenário, ensaios e estreia da peça.

sábado, 31 de outubro de 2009

Ao autor



A sombra daquilo que sou dá à luz o que procuro...

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion
(Fotografias da escultura "frágil" de Miguel Figueiredo)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Estive na Cidade



"Se olharmos à nossa volta, veremos outros indivíduos idênticos a nós. Por mais que procuremos, nunca encontraremos ninguém que seja exactamente idêntico a nós. Todos e cada um somos feitos apenas de diferenças; no planeta há 6.000 milhões de homens e mulheres, mas cada um deles é diferente de todos os restantes: não há indivíduos absolutamente idênticos entre si, é uma impossibilidade. Existimos porque somos diferentes, porque temos diferenças e, todavia, algumas destas diferenças incomodam-nos e impedem-nos de interagir, de nos comportarmos amistosamente, de manifestarmos interesse pelos outros, de nos preocuparmos uns com os outros, de nos ajudarmos - e, sejam tais diferenças quais forem, é a natureza das fronteiras que traçámos que as determina. Cada fronteira cria as suas próprias diferenças, atribuindo-lhes consistência e sentido."

Zigmunt Bauman, "Viver com estranhos", in Confiança e Medo na Cidade, Lisboa, Relógio d'Água, 2006, p. 72.

Fotografia: Carlos Muralhas