Mostrar mensagens com a etiqueta Llyrnion. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Llyrnion. Mostrar todas as mensagens

sábado, 31 de outubro de 2009

Ao autor



A sombra daquilo que sou dá à luz o que procuro...

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion
(Fotografias da escultura "frágil" de Miguel Figueiredo)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sempre a Rotina


Vivia numa Rotina que amaldiçoava, todos os dias uma Dança igual. Um
dia, dei o meu grito de independência e saí de Lá.

Tudo era Novidade, tudo era Indistinto, os contornos habituais
desapareciam. A nova Dança parecia-me... estranha? Não, exótica!

Passa o tempo... A Dança ganha dificuldade... Sinto vontade de parar,
para recuperar o fôlego. Mas a Dança não espera por ninguém. E eu
quero saber o que aí vem.

A Dança lança-me um Par. Agora não dá para parar. Vertiginoso
Rodopiar. Mas sinto a Rotina a pesar... Apesar...

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion
Fotos da Peça "Sonhos de Einstein" da Intrépida Trupe, Sessão de Abertura do MITO, 2 Setembro 2009

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Por onde andei não passei II


Uma Porta Diferente?
Feliz? Contente?
Um Trejeito, uma Dança
Um Convite à Esperança

Uma Porta Diferente
Para quem tiver Ousadia
Para quem encontrar Energia
Para, Dia após Dia,
Nadar contra a Corrente

Uma Porta Diferente?

Uma Diferença aparente?
Uma Diferença ardente?
Uma Diferença atraente?

Uma Porta Diferente?

Em busca de um batente?
Uma luz a Oriente?
Ou uma Estrela cadente?
Talvez apenas carente...?

Talvez eu me sinta crente

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion

domingo, 13 de setembro de 2009

Por onde andei não passei I


Abri as primeiras Portas
Com a Emoção do Desafio
E o Prazer da Descoberta
Ou apenas para ver
Uma Porta Aberta


Depois...
Alarguei Horizontes
E perdi Inocências
E as Portas ganharam
Outras Aparências...

Cada vez mais Iguais


E criaram Regras
E Procedimentos
Para Standardizar
Todos os Momentos...

Cada vez mais Iguais

E nasceram Obstáculos
Que foram crescendo
Até que, por fim,
Com o passar do Tempo,
Perdi a Vontade de abrir mais

Cada vez mais Iguais
Cada vez mais Iguais

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion

domingo, 23 de agosto de 2009


Vi-te e desejei-te ao primeiro Olhar.

Os contornos...
Da história...
Únicos...

Mas fazem parte de um padrão
Repetido até mais não
No Tecido da Paixão

A proximidade...
Revela...
Distância...

E desfaz o Olhar
Faz asfixiar
E terminar


Vi-me e desejei-me para me afastar

Forografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion


terça-feira, 18 de agosto de 2009


Há quem percorra o seu caminho sem se deixar levar pela pressão da
pressa dos outros

Há quem considere natural sentir o musgo a crescer-lhe nos pés

Há quem caminhe em direcção ao futuro sem perder a calma que herdou do passado

Mas a Maioria passa pela Vida
Em passo de Corrida
Para chegar Mais Longe
Fazer o Amanhã Hoje

E constroem a História
E controlam o Dia
E consumam a Vitória
Da Ignorância sobre a Sabedoria

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Sabedoria


É importante saber entrar em cena, mas é mais importante saber sair.

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Sensualidade bela



Foi uma blusa demasiado ousada para aquele jantar a dois. Ainda para mais, não tendo mais nada por baixo.

O olhar era invariavelmente atraído para uma única zona... para sair de lá em alvoroço, assim que se apercebia onde tinha pousado.

Até que, após diversos faux-pas visuais e alguns tropeções gramaticais, surgiu a Pergunta.

"Afinal, qual é a diferença entre essa blusa e não ter nada vestido?"

A Pergunta introduziu a Reflexão, até que esta teve que se retirar, sendo substituída pela Filosofia.

Foi daí que nasceu o Desafio.

"Despe-a! Um strip da cintura para cima!"

Foi um Desafio arriscado. Mas, naquela fase da garrafa de vinho, quem é que estava a ver se íamos longe de mais?

Mas o Desafio não ficou só, pois subitamente entrou a Contra-Proposta.

"OK! Mas só abres os olhos quando eu disser 'Abre'. E fecha-los quando eu disser 'Fecha'."

Sim... Os termos do Acordo até tinham a sua piada.

O início foi de olhos fechados. A sensação da mão a passar no ombro, um cheiro que fica quando a mão passa rente à face para pousar no outro ombro. As mãos sobre os olhos, descendo para a face, abrindo
novamente para os ombros.

Um afastamento. Os passos mais fortes no chão.

"Abre!"

Frente a frente... meneava as ancas, subindo e descendo lenta e deliberadamente... virou-se a três quartos e inverteu a rotação, inverteu novamente e...

"Fecha!"

A concentração nos passos. A aproximação. A deslocação para um dos lados.

Os passos apressados de um lado para o outro, o pé bate com força no chão, a direcção dos passos inverte-se.

"Abre!"

Rodopia. Os seios passam mesmo ali à frente dos olhos, num enquadramento como só o acaso consegue criar.

"Fecha!"

Prosseguem os passos apressados, nova pontuação com o bater do pé e afastamento, ao centro.

"Abre!"

Arranca uma sucessão de rodopios fascinantes! Quase se instala a tontura!

Os seios agitam-se com o movimento, como que desejando libertar-se da transparência que os envolve, que os sufoca.

A sua espera termina! Com três movimentos marcados, precisos, a blusa cai.

E, numa prova que a transparência por vezes ilude, pouso a mão sobre o coração. Esse, tenho sempre receio de o deixar desprotegido.

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Évora I


Preso ao Passado...

Sim, ele não o nega.

Não por ter medo do Futuro. O Futuro não existe. Seria o mesmo que ter medo do Lobo Mau.

O seu problema é o Presente. Uma sucessão estonteante de momentos que passam tão depressa que mal os consegue captar. Todos em simultâneo. Todos a quererem ser o Presente.

O Presente afigura-se-lhe incompreensível. Não por ser dotado de uma complexidade transcendente, mas apenas porque, à força de querer ser Tudo, acaba por ser...

Nada.

Hoje, Tudo é efémero. Hoje, Tudo é relativo. Hoje, Tudo é superficial... porque, ao ritmo a que Tudo acontece, não tem tempo para ser mais...

Nada.

Apenas uma luz fugaz que não ilumina Nada apesar de deslumbrar com o brilho de Tudo.

O Passado, esse é sólido. É uma âncora presa firmemente à Realidade, espelho de um tempo em que o seu ritmo permitia que fosse gravada na pedra. Uma Realidade que tinha tempo para ser...

Tudo.

O Passado tornou-se simples porque não tentou ser Tudo. Foi apenas aquilo que teve tempo para ser. Teve momentos de emotividade luminosa, teve momentos desesperadamente sombrios. Mas cada momento foi o que tinha que ser, em toda a sua plenitude. Cada momento teve tempo para ser...

Tudo.

E ele? Vejo-o ali, pequeno, frágil, apoiado no Passado. Como quem segura o seu Ace of Spades...

E espera...

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion

sábado, 8 de agosto de 2009

O gato Ideafix



Sabem uma coisa?

Estou há horas a pensar no seguinte: O rato roeu a rica roupa do Rei da Rússia.

E o gato? O gato goeu a guica goupa do Guei da Gússia.

Conclusão: É preciso um estilo de vida muito próprio para poder
dedicar horas a desenvolver este pensamento.

Adoro o meu dolce fare niente,
que me embala docemente
ao sabor da corrente
do que vai na minha mente.

Sim, esta também me levou vários dias de contemplação. Sou lento, mas
isso não me aborrece. Antes pelo contrário, dá-me um prazer imenso.

Bem, está na hora de uma das minhas sestas.

Qual? Não interessa. Qualquer hora é boa para uma das minhas sestas.

Bom trabalho para todos!

Ah... E não olhem com essa inveja toda para a minha vida. Foram vocês
que deram cabo da vossa.

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Beco


E, de repente, o silêncio enche-me os sentidos. Subitamente, sinto-me um intruso... barulhento... desajeitado...

Pé ante pé, esforço-me por ser etéreo, na esperança de não espantar o espírito que se espelha neste espaço.

Sinto os olhos que me fitam. Alguns cerrados, outros despedaçados. Todos encerram memórias, por detrás da fachada que os sustenta, que ostenta as feridas que o Tempo já não deixou cicatrizar.

Velho? Certamente.

Decrépito? Talvez.

Morto? Não!

Ali está a Vida que se recusa a partir! A energia de uma ideia que se aproximou demasiado do Sol, mas que um dia renascerá das cinzas, como um ideal intemporal! Um temporal... a seu tempo...

Vivo, sim! Mas, acima de tudo, digno, perante as indignidades do Tempo.

E eu...?

Regresso à minha realidade... indigno.

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Llyrnion