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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Estive na Cidade III


A cidade, a noite e tu

Todas nuas nos meus braços
a cidade, a noite e tu
A vossa claridade ilumina-me o rosto
e há ainda o perfume dos vossos cabelos.
A quem pertence este coração que bate?
acima do murmúrio das nossas respirações palpitantes
será a tua voz, a da cidade, a da noite
ou a minha?
Onde acaba a noite, onde começa a cidade
Onde acaba a cidade, onde começas tu
onde está o meu fim, onde está o meu princípio?

Fotografia: Carlos Muralhas - Texto: Hâzim Hikmet

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Revolução 2!!!




Nós andamos constantemente, lado a lado, sem nos vermos, sem nos conhecermos. Estranhos.
Partilhamos um transporte, um percurso, um olhar, um toque, mas sempre, sempre sem vontade... disseram-nos que o inimigo são os outros todos que ocupam o mesmo espaço que nós... e nós acreditámos.

Lembro-me de quando se falava muito em sentido cívico, em simpatia, em melhoria das condições de vida, em melhoria da qualidade dos transportes, em aumentos dos salários... de quando se podia ter esperança e sorrir na rua... mas agora disseram-nos que há a crise... disseram-nos que cada um de nós tem de se desenrascar sozinho... e nós acreditámos.

Tenho saudades de quando o tribunal de contas chamava a atenção para onde os governos gastavam o dinheiro... agora nem sei quando foi a última vez que ouvi falar do tribunal de contas... mas sei que o dinheiro já não é gasto na melhoria das condições da saúde, nem nos aumentos de salários de quem precisa dele para comer, nem na melhoria dos transportes, nem na melhoria do serviço da segurança social, nem na educação...

Mas não há problema... as pessoas não se vão unir contra o desgoverno, são todas umas estranhas porque estão ocupadas a ignorar-se umas às outras no seu dia-a-dia.

Fotografia e Texto: Carlos Muralhas

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Vontade de fotografar Dança...

Las manos sin perfil
espacio entre dos señales
notas que son aromas
en la imagen quieta,
sublime
de diez dedos que retoman luceros.
Jugaron con la infancia,
con los bosquejos de mujeres entre sueños
y metáforas de madurez.
Danzan
danzas de vida en falanges coloreadas
por el paso de la casa de la infinitud.
Por los pliegues de una mano
corren huerfanos los recuerdos
de mil cosas aprendidas con ellas
con el olfato inherte en unos dedos.
Capto la imagen de tu pasado
de todas las cosas que no están
pero que habitan tu desván.
él que siempre se cierra,
hoy se abre en tus extremidades
en tus soportes.
escribe sin pluma.

Fotografia: Carlos Muralhas - Poema: Jose Antonio Guillén Berrendero "Pepe"

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Perspectivas



Todas as situações têm vários lados... e não é fácil ver os que nos são pouco confortáveis.

Por norma achamos que o modo como vemos ou sentimos é o mais correto, mas.... esquecemos de ver por outro ângulo, esquecemos de questionar o nosso modo de ver.

Há muito a ganhar em questionar constantemente, em mudar a nossa perspectiva e perceber como se altera o mundo à nossa volta... regra geral o resultado é uma agradável surpresa :)

Acima de tudo não se deve procurar o resultado, mas sim aproveitar os momentos encontrados :)

Fotografia e Texto: Carlos Muralhas

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cat Shakespaw


Hamlet's Cat's Soliloquy

To go outside, and there perchance to stay
Or to remain within; that is the question:

Whether 'tis better for a cat to suffer
The cuffs and buffets of inclement weather
That Nature rains on those who roam abroad,
Or take a nap upon a scrap of carpet,
And so by dozing melt the solid hours
That clog the clock's bright gears with sullen time
And stall the dinner bell.

To sit, to stare outdoors,
And by a stare to seem to state
A wish to venture forth without delay,
Then when the portal's opened up,
To stand as if transfixed by doubt.
To prowl; to sleep;
To choose not knowing when we may once more
Our readmittance gain:
Aye, there's the hairball;

For if a paw were shaped to turn a knob,
Or work a lock or slip a window-catch,
And going out and coming in were made
As simple as the breaking of a bowl,
What cat would bear the household's petty plagues,
The cook's well-practiced kicks, the butler's broom,
The infant's careless pokes, the tickled ears,
The trampled tail,
And all the daily shocks that fur is heir to,
When, of his own free will,
He might his exodus or entrance make
With a mere mitten?

Who would spaniels fear,
Or strays trespassing from a neighbor's yard,
But that the dread of our unheeded cries
And scratches at a barricaded door
No claw can open up, dispels our nerve
And makes us rather bear our humans' faults
Than run away to unguessed miseries?

Thus caution doth make house cats of us all;
And thus the bristling hair of resolution
Is softened up with the pale brush of thought,
And since our choices hinge on weighty things,
We pause upon the threshold of decision.

--Shakespaw

Fotografia: Carlos Muralhas - Modelo: Ideafix

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Por vezes é só isto III



E pronto... aconteceu...

Muitos cientistas passaram anos a dizer que o aquecimento global era um fenómeno natural da vida do planeta, que a nossa utilização dos recursos naturais era totalmente suportada pela natureza, que a poluição era uma gota de água no oceano, que desde sempre houve espécies animais e vegetais a extinguirem-se e etc etc etc... e agora que sabemos que tudo isso era mentira, prova-se que foi dito para esconder a ganância desmesurada e desumana dos ricos e poderosos.

Agora... O planeta está falido, incapaz de suportar vida animal, os recursos naturais exaustos, os oceanos poluídos sem recuperação à vista, as cadeias alimentares a sucumbirem, os invernos insuportáveis, os fenómenos climatéricos de uma agressividade fora de controlo... Vamos todos morrer, homens, animais, plantas... à fome, à sede, à brutalidade de uma tempestade, à fúria humana dos desesperados que não compreendem o que se passou e que só querem sobreviver a qualquer custo...

E os verdadeiros responsáveis... esses que sempre ultrapassaram impunemente as poucas leis pensadas para proteger o planeta, esses que impediam a criação de leis decentes e capazes para a natureza e para o ser humano, esses que afundavam os governos e sistemas políticos em corrupção com um só fito - mais e mais, mais e mais... mais e mais o quê? riqueza? poder? terra? sei lá..., esses... agora que aqui não se pode sobreviver, usam a riqueza que acumularam à custa da nossa destruição, da nossa miséria, do nosso suor injustiçado, para fazerem as suas naves espaciais e irem para outro planeta formar uma nova sociedade... começar o seu jogo de poder e de desumanidade de novo.

Para trás... ficam 6 biliões de pessoas a morrer à fome e à sede, abandonados ao destino que por eles foi criado... condenados...

Fotografia e Texto: Carlos Muralhas


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sem fim



Delírio e Sonho
Delírio e Desejo
Sem Fim
Desejo
Desejo e Desespero
Sem Fim
Desespero
Desespero
Sem Fim
Morte
Morte e Sonho
Morte e Destino
Sem Fim
Destino
Destino
Destino e Desejo
Sem Fim
Sem Fim
Destruição

Texto: Inspirado no Índice, DC Comics Vertigo "The Endless", 1995, Vários Artistas
Fotografia: Carlos Muralhas

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Fotografia Etnográfica a PB V


Fotografia no âmbito do Workshop de Fotografia Etnográfica (2010) do MEF
Retratos, Erra, Coruche.
Fotografia: Carlos Muralhas

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Periferias: Da intuição de um corpo que se move através das sombras... (Catálogo)

Este catálogo foi editado por mim para o trabalho que apresentei ao concurso expositivo Periferias, não é o catálogo oficial da exposição colectiva Periferias.

Pode ser feito download do Catálogo em PDF aqui (73MB).

Algumas páginas exemplo:



Fotografias: Carlos Muralhas